O dever dos pobres de abortar

Nathalie Lieven, a juíza responsável por essa decisão hedionda

A juíza inglesa Nathalie Lieven autorizou, no dia 21 de junho, a realização por médicos do sistema público de um aborto forçado numa moça grávida de 22 semanas, sob o pretexto de que ela é deficiente mental e sofre de transtornos de humor. A autorização foi dada a despeito da discordância da moça e de sua mãe, que se prontificou a assumir a criança. Mãe e filha são nigerianas e católicas.

O episódio, no entanto, gerou uma tamanha onda de protestos – não só entre católicos, mas também em grupos pró-vida – que três outros juízes felizmente derrubaram a decisão na segunda-feira, no dia 24 de junho.

Na sentença, a juíza afirmara estar consciente da “imensa intrusão” que sua decisão significava, mas dizia acreditar que agia “em defesa dos interesses” da moça, cujo nome e idade não foram revelados, mas que teria “pouco mais de 20 anos” e a idade mental de uma criança de nove anos.

O aborto como direito revela sua verdadeira face: quando se trata de pobres ou deficientes, fazem dele um dever.

Na sua loucura, os médicos e a juíza garantiram que o aborto seria “menos traumático” (sic) do que a presumida separação da criança, decorrente da falta de condições materiais da família para criá-la. Segundo a juíza, a avó não teria meios de cuidar satisfatoriamente da filha e do neto, e acabaria tendo de entregá-lo a um orfanato para adoção. A assistente social que acompanhava a família também foi contra o aborto.

Aos poucos, o verdadeiro sentido do aborto institucionalizado vai mostrando o seu verdadeiro sentido: o controle da natalidade dos pobres.

A morte lenta da verdadeira fé

Descent of the Modernists, E. J. Pace, Christian Cartoons, 1922

Cada vez menos franceses acreditam no verdadeiro Deus.

Segundo pesquisa do semanário Le Point, entre os jovens de 18 a 29 anos, já há tantos muçulmanos quanto católicos, mas pelo ritmo da expansão, o Islã está à caminho de se tornar maioria.

A religião católica ainda é majoritária entre os franceses, mas a situação está se deteriorando: apenas 32% declaram-se católicos, contra 70%, em 1981. Quanto à prática, 7% das pessoas entrevistados dizem que vão à missa “pelo menos uma vez por mês”. O tema da prática semanal de domingo nem sequer foi levantada.

Os católicos praticantes respondem por menos de 3% entre os jovens de 18 a 29 anos.

Se o protestantismo e o judaísmo estão experimentando uma regressão semelhante à da Igreja, o islamismo e os grupos neo-pentecostais estão inversamente em um movimento de crescimento: a natureza sempre odeia o vazio, e o deserto litúrgico e a doutrina do catolicismo pós-conciliar cobram o seu preço em almas perdidas.

CONTINUAR LENDO…

A liberdade é católica

Leão XIII

“A liberdade, bem excelente da natureza”. É com essa deliciosa provocação que Leão XIII abre a sua magistral Encíclica Libertas, para mostrar que a Igreja é a verdadeira defensora da liberdade, e para condenar os liberais.

Mais do que amiga da liberdade, a Igreja é mesmo a única a tê-la estabelecido no mundo, segundo Mons. de Ségur:

“A Igreja inimiga da liberdade!? Não foi ela, e somente ela, que a estabeleceu no mundo? Não foi ela que a trouxe de volta ao coração do homem ao romper as cadeias do pecado e o jugo de todas as paixões? A Igreja inimiga da liberdade! Não foi ela que restabeleceu a liberdade da família, derrubando o triplo despotismo do pai, do marido e do amo? Não foi ela que introduziu a liberdade no Estado, negando o poder absoluto do César, dizendo-lhe na cara que mais vale obedecer a Deus que aos homens? Não foi o Papado, não foi a Igreja católica que formou, educou, constituiu as nações cristãs que possuem incomparavelmente mais liberdade que todas as civilizações antigas, tão louvadas pelos nossos pagãos modernos?” (La Liberté)

Assim também, no domínio econômico, podemos nos afastar do liberalismo ao mesmo tempo em que, sem medo de contradição, defendemos a liberdade econômica. Ensinava Pio XII:

CONTINUAR LENDO…