Cruzada de rosários

Caros amigos, eu vos convido a todos, adultos e crianças, leigos e pessoas consagradas, e vos suplico de se juntarem a esta cruzada de oração pelas Missas e pelas Vocações. Os cruzados partiam para libertar o túmulo de Nosso Senhor Jesus Cristo; partamos então para libertar o tesouro de Cristo Rei, seu testamento de amor!

Há uma semana começou a cruzada de terços pela volta das missas e pelo fomento das vocações, convocada pelo superior geral da Fraternidade São Pio X, o Pe. Davide Pagliarani. — Cruzadas anteriores, como a de 2006, de 2008 ou a de 2016, tiveram uma participação ampla e entusiasmada, resultando literalmente em milhões de terços rezados por todo o mundo.

Ao longo dos últimos dias, embora timidamente, houve progresso no que se refere à liberalização da missa em alguns países:

  • Na França, o culto público foi autorizado a partir do dia 28 de novembro, ainda que de forma odiosamente limitada (com a presença permitida de apenas 30 fiéis).
  • Nos Estados Unidos, nessa última quarta-feira, por cinco votos a quatro, a Suprema Corte autorizou o culto religioso presencial.
  • Em Portugal, a santa missa passou a ser permitida na parte da tarde em diversas porções do país.

Continuemos a rezar nosso terço suplicando a Deus a volta das missas e o fim dessa nova forma de perseguição aos católicos. Não negamos a gravidade da pandemia, mas tampouco ignoramos que nem governadores, nem ministros do STF têm o direito de nos privar daquilo que nos é mais sagrado, e que não é da sua competência.

“On veut la MESSE”

Impedidos de assistir a Santa Missa, católicos protestam de joelhos, em reuniões de oração

Não é a primeira vez que os católicos da Tradição se vêem desprovidos da Missa: essa é, infelizmente, a realidade ainda hoje para muitos fiéis espalhados pelo Brasil e por todo o mundo, distantes de um padre que lhes celebre a Missa de Sempre.

A epidemia atual, no entanto, foi o pretexto de que tanto precisavam alguns aprendizes de ditadores para impedir os fiéis de assistirem a Missa. Como se tivessem poder para tanto! Como se não se tratasse do mais abominável abuso de autoridade!

A Fraternidade São Pio X reagiu conclamando todos os fiéis a ingressarem numa cruzada de terços, iniciando-se nesse dia 21 de novembro, em prol da liberdade para a Santa Missa:

Este é um chamado enérgico, suplicante, que se endereça aos senhores e a todos aqueles a quem os senhores possam transmitir: «Unamos nossas forças para obter do céu a liberdade incondicional de rezar publicamente e de assistir à Missa». A Santa Missa é o bem mais querido para nós. Assim, ela precisa ser rezada de novo com total liberdade: ela contém a solução a todos os males, a todas as doenças, a todos os temores.

“Laissez-nous prier” (Deixem-nos rezar), diz o cartaz

Além disso, na Europa, católicos tem se reunido nas praças, de terço nas mãos, para rezar e manifestar seu protesto por essa nova forma de perseguição enquanto advogados buscam — até o momento, sem sucesso — reverter a situação nos tribunais.

Unamos nossas orações e peçamos com eles:

— Nós queremos a Missa! Dai-nos a Santa Missa!

Considerações sobre Fratelli Tutti (I)

A última encíclica do Papa Francisco, intitulada Fratelli tutti, já suscitou alguns comentários, mas o interesse manifestado por ela não foi geral, longe disso. Sem dúvida, as questões sanitárias bem como o noticiário das eleições americanas desviaram a atenção dela, mas o conteúdo da Encíclica também tem sua parcela de culpa.

Numa primeira abordagem, nos deteremos no terceiro parágrafo da encíclica, que requer um exame cuidadoso. O Papa relata um episódio bem conhecido da vida de São Francisco de Assis, a saber, sua visita ao Sultão Malik-el-Kamil no Egito. O Papa Francisco dá a seguinte interpretação:

“Aquela viagem, num momento histórico marcado pelas Cruzadas, demonstrava ainda mais a grandeza do amor que queria viver, desejoso de abraçar a todos. A fidelidade ao seu Senhor era proporcional ao amor que nutria pelos irmãos e irmãs. Sem ignorar as dificuldades e perigos, São Francisco foi ao encontro do Sultão com a mesma atitude que pedia aos seus discípulos: sem negar a própria identidade, quando estiverdes ´entre sarracenos e outros infiéis (…), não façais litígios nem contendas, mas sede submissos a toda a criatura humana por amor de Deus´”

A primeira regra dos Frades Menores

A citação é tirada do que ficou conhecido como a “Primeira Regra dos Frades Menores”. Na verdade, trata-se da segunda regra escrita por São Francisco, pois o texto da primeira regra se perdeu.

A citação do Papa é extraída do capítulo 16, intitulado: “Dos que vão para os sarracenos e outros infiéis”. São Francisco começa especificando que “todos os irmãos que, por inspiração divina, queiram ir até os sarracenos e outros infiéis, façam-no com permissão de seu ministro e servidor”.

O fundador continua: “Os irmãos que partem têm, do ponto de vista espiritual, duas maneiras de se comportar entre os infiéis”. Quais são essas duas maneiras? “A primeira é não fazer litígios nem contendas, mas submeter-se a toda criatura humana por amor de Deus e proclamar-se católico”. Aqui está a citação feita pela encíclica.

O santo fundador continua: «A segunda é, quando crêem que agrada a Deus, proclamar a palavra de Deus, para que os infiéis creiam em Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, Criador de todas as coisas, no Filho Redentor e Salvador, e para que sejam batizados e se tornem católicos, pois quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus

O final do capítulo permite determinar o que precede. Ele insiste na pregação: “Isso e tudo o mais que agradar a Deus, eles podem pregar aos incrédulos e aos outros, pois, diz o Senhor no Evangelho: “Todo aquele, portanto, que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus”; e “quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, o Filho do homem se envergonhará  dele, quando vier na sua majestade, e na de su Pai e dos santos anjos.”

O santo conclui este capítulo com esta última consideração: “Que todos os irmãos se lembrem, em toda parte, que se entregaram e que abandonaram o próprio corpo a Nosso Senhor Jesus Cristo, e que por seu amor devem se expor a todos os inimigos visíveis e invisíveis”. Ele apóia esse encorajamento com citações tiradas do Evangelho. Aqui está a primeira: “O que perder a sua vida por meu amor, achá-la-á.” As demais apenas a comentam.

Distorção das palavra de São Francisco

A leitura deste capítulo da primeira regra deixa bem claro que São Francisco não pretende separar as duas atitudes que descreve, mas uni-las em uma sucessão. Não se trata: ou de viver como católico no meio dos infiéis, e nada mais; ou pregar a Jesus Cristo. Mas a primeira atitude pode ser adotada enquanto se espera que a segunda se torne possível, ou mesmo obrigatória em uma confissão de fé.

A prova está no texto e na insistência de São Francisco na pregação e na doação total de si, até ao martírio, se se trata de comunicar o caminho da salvação aos que lhe são estranhos.

A citação truncada distorce o pensamento do santo. Também se esquece que São Francisco queria ir ao Egito para converter o sultão, ou morrer pela fé, como afirma a vida do santo fundador escrita por São Boaventura. Reduz a caridade sobrenatural e o zelo apostólico a um simples “amor” que quer “abraçar todos os homens”.

O final do terceiro parágrafo da encíclica conclui da seguinte forma: “No contexto de então, era um pedido extraordinário. É impressionante que, há oitocentos anos, Francisco recomende evitar toda a forma de agressão ou contenda e também viver uma ´submissão´ humilde e fraterna, mesmo com quem não partilhasse a sua fé.”

O que nos impressiona é ver o espírito missionário de São Francisco completamente rebaixado e ler uma negação prática de sua regra da pena do Papa que quis adotar o seu nome. Essa redução e essa desnaturalização estarão presentes em todo o texto da encíclica.

(FSSPX – La Porte Latine)

Onde buscaremos refúgio?

No espaço de menos de 30 dias, lemos novos relatos de ataques bárbaros realizados por muçulmanos na França. Primeiro, um professor foi brutalmente assassinado por ter mostrado aos seus alunos uma caricatura de Maomé; poucas semanas depois, outro ataque ocorreu dentro de uma igreja na cidade de Nice: o ataque levou três fiéis à morte, entre os quais, uma brasileira.

Não foi o primeiro ataque terrorista ocorrido dentro de uma igreja — ainda está fresco na memória de todos o assassinato do Pe. Jacques Hamel, poucos anos atrás. A única novidade aqui foi a crueldade do ato: tanto o professor como uma das vítimas de Nice foram literalmente decapitados pelo muçulmano.

Infelizmente, nada disso servirá para mudar a política europeia de acolhida indiscriminada dos imigrantes, ou o ecumenismo irenista de Roma.

Sobre esse último ponto, convém recordar a carta que um grupo de muçulmanos convertidos ao catolicismo escreveu ao Papa Francisco em 25 de dezembro de 2017, denunciando o equívoco da sua aproximação ao islã.

As palavras desses convertidos são certamente amargas e dolorosas, mas muito verdadeiras:

“Permita-nos dizer-lhes francamente que não entendemos o vosso ensino sobre o Islã (…). Se o Islã em si é uma boa religião, como Vossa Santidade parece ensiná-lo, por que nos tornamos católicos? As vossas palavras não põem em causa os méritos da escolha que fizemos… com risco das nossas vidas? O Islã prescreve a morte de apóstatas (Alcorão 4, 89; 8, 7-11), não sabeis? Como é possível comparar a violência islâmica a chamada violência cristã ?! “Qual é a relação entre Cristo e Satanás? Que união entre luz e escuridão? Qual a associação entre os fiéis e os infiéis? ” (2 Cor 6, 14-17). De acordo com o Seu ensino (Lc 14,26), preferimos Ele, o Cristo, à nossa própria vida. Não estamos em uma boa posição para falar sobre o Islã? (…)

“Não estamos confundindo o Islã com os muçulmanos, mas se para vós o ‘diálogo’ é o caminho para a paz, para o Islã é outra forma de travar a guerra. Além disso, como foi em face do nazismo e do comunismo, o angelismo em face do Islã é suicida e muito perigoso. Como falar de paz e tolerar o Islã, como Vossa Santidade parece fazer: “Arrancar de nossos corações a doença que envenena nossas vidas (…) Que os cristãos o façam com a Bíblia e os muçulmanos com o Alcorão” (Roma, 20 de janeiro de 2014)? Que o Papa pareça propor o Alcorão como meio de salvação, não é preocupante? Devemos retornar ao Islã? (…)

“É claro que existe uma forte tentação de pensar que manter um discurso islamófilo poupará um aumento dos sofrimentos aos cristãos em países que se tornaram muçulmanos, porém, Jesus nunca nos mostrou outro caminho que não o da cruz, de modo que devemos por ela encontrar a nossa alegria e não fugir dela junto a todos os condenados, não duvidamos que só o anúncio da Verdade traz com salvação, a liberdade (Jo 8,32). Nosso dever é dar testemunho da verdade “oportuna e inoportunamente” (2 Tim 4, 2), e nossa glória é poder dizer com São Paulo: “Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo. , e Jesus Cristo crucificado ”(1 Cor 2: 2). (…)

“O discurso pró-Islã de Vossa Santidade nos leva a deplorar que os muçulmanos não sejam convidados a deixar o Islã, que muitos ex-muçulmanos, como Magdi Allam, estejam deixando a Igreja, revoltados com vossa covardia, magoados por gestos equívocos, confundidos pela falta de evangelização, escandalizados pelo louvor dado ao Islã … (…) Não ouvistes jamais vosso colega Mons. Amel Shimoun Nona, arcebispo católico caldeu, exilado, de Mosul, gritar por nós : “Os nossos sofrimentos presentes são o prelúdio daqueles que vós, europeus e cristãos ocidentais, irão sofrer no futuro próximo. Perdi minha diocese. A sede da minha arquidiocese e do meu apostolado foi ocupada por radicais islâmicos que querem que nos convertamos ou morramos. (…) (9 de agosto de 2014). É uma questão de vida ou morte, e qualquer complacência com o Islã é traição. Não queremos que o Ocidente continue a islamizar, nem que suas ações contribuam para isso. Onde poderíamos novamente buscar refúgio? ” “

Os signatários encerram sua carta com uma petição urgente:

“Permita-nos pedir a Vossa Santidade que convoque rapidamente um sínodo sobre os perigos do Islã. O que resta, de fato, da Igreja onde o Islã se estabeleceu? Se ela ainda tem direito a cidadania, é em dhimmitude (1), desde que não evangelize, que deve, portanto, negar-se … ”.

(1) Dhimmitude é um neologismo polêmico que caracteriza o status dos não-muçulmanos sob o domínio muçulmano, popularizado pelo escritor britânico nascido no Egito, Bat Ye’or, nas décadas de 1980 e 1990. É uma palavra-chave construída a partir do árabe dhimmi ‘não-muçulmano’ e do francês servitude, ‘sujeição’.

Índia: Brahma Contra a Cruz

Pela quarta vez em 2020, cruzes foram derrubadas no Estado de Karnataka, Índia. Nesta região, como em outros lugares do país, o partido no poder tornou a destruição de símbolos cristãos um de seus objetivos prioritários. A comunidade católica planeja tomar medidas legais.

“Uma agressão arbitrária realizada [pelas autoridades] contra os cristãos no atual clima de intolerância religiosa.” O arcebispo de Bangalore, Dom Pedro Machado, fez esta impactante declaração numa entrevista concedida a Asianews, em 29 de setembro de 2020, depois que cerca de quinze cruzes erguidas na colina próxima da igreja de São José, em Gerahalli (Estado de Karnataka), foram cortadas.

A profanação ocorreu em 23 de setembro, e mobilizou mais de 300 policiais para isolar os arredores imediatos do morro.

A polícia demoliu uma grande cruz de 32 metros de altura e 14 cruzes menores representando as Estações da Cruz.

Gerahalli, no entanto, não representa grande perigo para as autoridades: trata-se apenas de uma modesta paróquia frequentada por uma centena de famílias católicas que desejam viver sua fé em paz.

Padre Anthony Britto, pároco do local, diz que recebeu a visita de um agente administrativo em 22 de setembro de 2020. Este último o informou da sentença proferida pelo Supremo Tribunal Federal sobre o corte das cruzes, que começou já no dia seguinte. Profundamente indignados, os fiéis católicos começaram a protestar, alguns choravam, outros rezavam o rosário.

As autoridades culpam os católicos por erguer as cruzes em uma área de pastagem; mas altares hindus também foram instalados no mesmo lugar, que permaneceu intacto…

Em Karnataka, como na maioria dos Estados da Índia, o sombrio Partido Bharatiya Janata (BJP) está no poder. Seu slogan: o hindutva, ou retorno – voluntariamente ou à força – de todos os indianos para o seio da religião brâmane. Isso implica a erradicação de toda a adoração estrangeira na terra dos Marajás.

O pároco de Gerahalli, no entanto, não está desanimado: considera tomar medidas legais contra a decisão judicial, mas não devemos nos iludir sobre o resultado.

Enquanto isso, o padre convoca seus paroquianos a assumir a única arma capaz de dar a vitória: a oração.

O Vaticano contra o nazismo

O Vaticano desempenhou um papel de liderança na proteção dos prisioneiros de guerra aliados que escaparam de campos de prisioneiros durante a Segunda Guerra Mundial. Isso é o que demonstra um livro sobre a história do MI9, um dos ramos dos serviços secretos britânicos.

No filme O Roxo e o Negro (1983), o bispo Hugh O’Flaherty – interpretado por Gregory Peck – esconde prisioneiros de guerra no Vaticano, apesar da relutância das mais altas autoridades da Igreja, por medo de represálias alemãs. Embora o Bispo O’Flaherty seja uma figura muito real, o papel da Santa Sé na assistência aos soldados aliados é muito depreciado no filme.

Em um livro publicado em 4 de setembro de 2020, MI9: A History of the Secret Service for Escape and Evasion in World War Two (não traduzido até o momento), Helen Fry demonstra o contrário.

A historiadora narra, fundada em documentos, como a Embaixada britânica coordenou esforços com as mais altas autoridades do Vaticano para resgatar prisioneiros de guerra fugitivos na Itália.

Assim, quando Albert Penny, um marinheiro da Royal Navy, escapou de seu campo de prisioneiros, foi na Cidade do Vaticano que encontrou asilo, em 1942. Permaneceu lá por mais de dois meses, com livre acesso aos jardins do Vaticano, sendo recompensado com uma audiência privada com o Papa Pio XII.

“Eu esperei por ele na sala do trono onde ele me deu sua bênção. Em um inglês muito bom, disse que estava muito feliz em poder me conhecer e me dar a sua bênção. Ele também me deu um rosário”, lembra o marinheiro, cujo testemunho Helen Fry relata.

“Penny não foi um caso isolado.”, continua a historiadora, “Quando Roma foi libertada, em 4 de junho de 1944, uma dúzia de soldados aliados viviam na cidade-estado e dezenas de outros estavam escondidos em propriedades da Igreja.

Helen Fry está persuadida de que as informações que foi capaz de reunir em seu livro devem levar a uma reavaliação do pontificado de Pio XII, a fim de pôr fim de uma vez por todas à lenda negra de um papa complacente com o regime nazista.