A imagem da desolação

Catedral de Notre-Dame em chamas

Há o impensável. Até que, diante dos nossos olhos atônitos, ele se dá. “Notre-Dame está em chamas” – e o coração do católico se enrruga, desidratado de esperança. O que um general nazista sob ameaça de morte se recusou a fazer, o faz o descaso dos homens – e a ira de Deus, que o permite.

“Será um sinal?”, se interroga o católico – a fé, que é de pedra, intacta.

A Providência não poderia ser mais veemente: é Semana Santa, a Paixão se aproxima – e de novo na hora nona se rasgará o véu. Ou terá Deus se antecipado?

“Penitência! Penitência! Penitência!”, talvez clamem os Céus – mas não ouvimos.

Há método nessa loucura?

O sonho da razão produz monstros, Francisco Goya

“Donde se segue não só que o catolicismo é avesso às tiranias e às revoluções,
mas ainda que só ele as tem verdadeiramente negado” (Donoso Cortes)

Em maio do ano passado, os caminhoneiros pararam o país num violento protesto que, além de causar uma morte em Rondônia, onerou os cofres públicos em cerca de 15 bilhões de reais. Foram dias de caos: cidades decretaram estado de calamidade pública devido ao desabastecimento, aeroportos não funcionavam, escolas pararam e parte da população não conseguia trabalhar.

Numa espécie de loucura coletiva, no entanto, a causa dos caminhoneiros recebeu o apoio de parcela considerável da população — daqueles mesmos que sofriam as suas consequências. Desde os Estados Unidos, Olavo de Carvalho incitava o movimento fazendo as declarações mais irresponsáveis: todo o poder aos caminhoneiros, dizia ele, pregando abertamente a revolução. Um cego guiando cegos.

Desde o primeiro minuto, a Permanência desaprovou com veemência esses acontecimentos, como todo católico deveria fazer. Pois aprendemos dos papas que há não só um dever de obediência às autoridades legítimas, como sérias restrições às greves:

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Santo Alberto, mestre de São Tomás

Santo Alberto Magno nasceu em Lauingen, na Baviera, entre os anos 1196 e 1206. Aos 16 anos, foi para Pádua, na Itália, completar seus estudos universitários. Lá encontrou Jordão de Saxônia, que o iniciou na vida religiosa. Em 1229, vestiu o hábito dos frades da Ordem dos Pregadores e foi enviado para Colônia.

Dotado de um gênio incomum, Santo Alberto interessou-se por todos os ramos do conhecimento. Das ciências naturais à teologia, nada lhe foi estranho: filosofia, gramática, retórica, dialética, aritmética, geometria, astronomia e música. Foi ele quem descobriu a fórmula da potassa cáustica, a composição química do sulfureto de mercúrio, do óxido de zinco artificial e do óxido de chumbo (empregado na pintura e fabricação de vidros especiais) e também do carbonato de chumbo artificial.

Por conta disso, era considerado o homem mais sábio de seu tempo e mereceu o epíteto de “Magno”, ou “o Grande”.

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