Nas chamas do modernismo

Gárgulas da Catedral de Notre-Dame de Paris

Acompanhei um pouco a situação em Paris pelos jornais franceses, e me parece importante escrever para os meus fiéis e leitores do site, para lhes falar um pouco sobre esse acontecimento estranho do incêndio de Notre Dame de Paris.

Muitas catedrais, igrejas, mosteiros queimaram em incêndios antes desse. Muitos terremotos derrubaram suas flechas monumentais, como vimos hoje cair a de Paris. Mas não posso deixar de considerar que essa destruição tem um caráter diferente. Antes do fogo destruir esta Citadela da Fé católica, há muito tempo já desaparecera o fogo que a levantara há cerca de 1.000 anos atrás.

Quando leio nos jornais os políticos falando de cultura, de Europa, de arte, não posso deixar de pensar na culpa que esses senhores têm por tudo o que foi jogado fora de civilização católica, dos mil anos da Idade Média. Não posso impedir que brote no coração o ódio por essa Revolução que há 250 anos destrói o que nossos heróis construíram para pasmo do mundo moderno, pelo simples amor a Nosso Senhor Jesus Cristo, a sua Mãe Maria, e a sua Esposa, a Santa Igreja  Católica Apostólica Romana. Não posso deixar de odiar com todas as forças da alma esse Modernismo de Vaticano II, que ainda hoje derruba as simbólicas cruzes da fé nos corações.

Na verdade, o mundo moderno e a Igreja modernista não merecem esses monumentos da fé antiga, pois que a repudiaram com desprezo e violência. Era normal que, na Apostasia Geral em que vivemos, os marcos da fé de outrora fossem desaparecendo, como destruídos foram os Sacramentos, as Orações, o Sacerdócio, as igrejas e tudo o mais.

Mas a vida continua. Já estão arrecadando o dinheiro da reconstrução. Muito dinheiro. Já anunciaram que reunirão os melhores artífices do mundo para refazer o que foi destruído pelas chamas.

De que serve? Levantarão uma Catedral do Pluralismo revolucionário. Cantarão loas à Fraternidade universal. Incensarão a deusa Liberdade no altar da nova Notre Dame. E todos, unidos pela Igualdade sem Deus, soltarão fogos no dia da inauguração.

No limiar da nossa Semana Santa, quando nos preparamos para o luto litúrgico pela Paixão de Morte de Cristo, soa o dobre por Notre Dame. E mais uma vez choramos a destruição da fé.

Domingo que vem nos alegraremos com Cristo Ressuscitado, e poderemos tratar da nossa salvação eterna, nos nossos esconderijos, nas nossas catacumbas da Tradição.

A imagem da desolação

Catedral de Notre-Dame em chamas

Há o impensável. Até que, diante dos nossos olhos atônitos, ele se dá. “Notre-Dame está em chamas” – e o coração do católico se enrruga, desidratado de esperança. O que um general nazista sob ameaça de morte se recusou a fazer, o faz o descaso dos homens – e a ira de Deus, que o permite.

“Será um sinal?”, se interroga o católico – a fé, que é de pedra, intacta.

A Providência não poderia ser mais veemente: é Semana Santa, a Paixão se aproxima – e de novo na hora nona se rasgará o véu. Ou terá Deus se antecipado?

“Penitência! Penitência! Penitência!”, talvez clamem os Céus – mas não ouvimos.