“This is a book” e o direito fundamental

O ministro Barroso quer viver no melhor dos mundos, aquele em que é possível ao mesmo tempo acreditar em direito fundamental e seguir uma ética kantiana. Mas aqui, neste nosso mundinho tão peculiar, onde vige o princípio da contradição, não dá: ou uma coisa ou outra.

Não é possível falar em qualquer coisa de “fundamental” sem supor o conceito de essência ou natureza, aquele conjunto de características que define uma coisa e na ausência do qual, ela não poderia existir. Logo, podemos dizer que o que é fundamental preexiste à própria coisa. 

Como chega o homem a definir a natureza das coisas? Pela observação e abstração dessas características. Todos os gatos são gatos, a despeito da sua cor, do seu tamanho, da sua raça porque conhecemos o que é o essencial de um gato.  A natureza das coisas está nas coisas mesmas e o homem não faz mais do que reconhecê-las para daí dizer:  isto é uma casa, isto é um cavalo, isto é um ministro. Custa-nos por isso imaginar uma casa sem paredes, um cavalo sem quatro patas, um ministro sem toga.

O Simão Bacamarte de Konigsberg

Mas ocorre que o ministro se diz um kantiano. E para um kantiano não existe natureza ou essência das coisas. Ou pior: se existe ou não existe não temos como sabê-lo, porque a coisa em si nos é – ou nos seria – inacessível. Então como poderíamos sequer postular essa inacessibilidade? Kant não explica. E isso que atribuímos às coisas como essência só existe na nossa cachola. Kant era o Simão Bacamarte de Konigsberg.

Mas se não há de fato essência, nada há também que se possa dizer “fundamental”. A “natureza” quem acrescenta às coisas somos nós que delas não deveríamos falar nada. Ou podemos falar o que quisermos. Tanto faz. Mas vê-se que o ministro escolheu a segunda opção.

Voltaremos a esse problema em outros posts. Por ora, fixemos a primeira lição: This is a book.

A ocasião do poder

Machado de Assis

Toda vez que há uma troca de governo repete-se a conversa mole de que “o poder corrompe”, versão metida a besta do ditado popular “a ocasião faz o ladrão”.

Machado de Assis fez a devida correção moral do ditado, ao escrever em “Esaú e Jacó”:

 “A ocasião faz o furto.
O ladrão nasce feito.”

Vale a pena reler o capítulo 85, só para deixar um tira-gosto dessa coisa tão difícil (senão impossível) de definir que é o estilo, sempre mais notável quanto melhor é o escritor:

“Pessoa a quem li confidencialmente o capítulo passado, escreve-me dizendo que a causa de tudo foi a cabocla do Castelo. Sem as suas predições grandiosas, a esmola de Natividade seria mínima ou nenhuma, e o gesto do corredor não se daria por falta de nota. “A ocasião faz o ladrão”, conclui o meu correspondente.
Não conclui mal. Há todavia alguma injustiça ou esquecimento, porque as razões do gesto do corredor foram todas pias. Além disso, o provérbio pode estar errado. Uma das afirmações de Aires, que também gostava de estudar adágios, é que esse não estava certo.
— Não é a ocasião que faz o ladrão, dizia ele a alguém; o provérbio está errado. A forma exata deve ser esta: ‘A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito.’ “

“Esaú e Jacó” é um clássico (clique aqui para baixar). Imperdível como todos últimos cinco romances de Machado. Aliás, é difícil lembrar outro escritor que tenha emplacado cinco obras-primas seguidas, livros ao mesmo tempo 
profundamente brasileiros e universais.

As causas da decadência

“The moral state of the clergy is critical, and the current situation is “comparable to that of the 11th and 12th century”, explained Cardinal Walter Brandmüller, a renowned historian and co-signatory of the 2016 Dubia in answer to Amoris Laetitia.”

(…) “Mutatis mutandis, the present situation offers serious similarities to the past, except that today, Rome has taken too long to react. In particular, the supreme authority allowed scandalous or outright heretical authors to publish their works and teach in the pontifical universities.”

(…)

“We might add that the moral decadence is not only due to the – undeniable –influence of this world, for which Our Lord refused to pray because Satan is its prince. It is also a result of the warping of minds, the impossible marriage between the true and the false, good and evil. It is the consequence of moral laxism, the insufficiency of the modern catechism, and weak preaching. The Christian people has lost its sense of beauty, truth and goodness, and therefore its horror for sin, vice and error. “

“The root of this state of affairs is none other than the fifty-year-old crisis of the Faith in the Church. The reforms implemented in the name of Vatican Council II are not without their responsibility in all of this.”

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